domingo, 13 de dezembro de 2009

Ilusão



Não é assim.
E se fosse?
O que seria?
Não é.


Doce, quente, amor de verão...
Foto: Camila Koschdoski

Música




Melodia inventada é a idéia forte guardada.
O soar da música passada no ouvido de quem
já sabe o refrão.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Descoberta do novo





À medida que eu ia.
O meu amor diminuía.
Eu de ti me esquecia.
Dos beijos e abraços.
Da ponta do laço e da promessa quebrada.
O amor acabara.
E cada vez que eu não pensava.
A felicidade me via a tona.
A contradição me fazia rir.
Como não conseguir chorar por ti?
Como realmente acreditar que é melhor assim?
Eu ando com um sorriso mais real, e toda minha vida eu pensei que isso dependesse do amor.
Eu acabei de me conhecer.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Transferência






Um conto para os piores dias de uma vida, um conto que conto para todos que passam por aqui. A história de uma menina da qual eu tratei, por alguns minutos e confesso, mas foram os mais produtivos da minha carreira. Ela veio acompanhada e praticamente obrigada pela mãe que dizia que a menina precisava de sérios tratamentos psicológicos, A menina dizia querer somente voltar pra casa. A mãe aflita ficava contando com insistência na internação da menina as confusões que ela causara. Ela está amando um homem! A mãe cuspia na minha mesa essa frase como se fosse a maior indecência que alguém poderia se permitir. Como uma magrela faltando por nascer todos os dentes poderia ter esse sentimento tão avançado. A menina mal me olhava nos olhos, estava claro o desconforto causado pela falta de delicadeza da mãe. Ela não negava ter esse sentimento, mas não quis me dizer de quem se tratava. Durante os floreios da mãe me perguntava se já não tinha visto essa menina por aqui, seu rosto me dizia alguma lembrança que eu não conseguia recorrer. Daqui do hospital não pode ser, eu me lembraria. Como não tive espaço para analisar a situação com tanto desespero em volta de uma frase, liberei e pedi que aparece-se no dia seguinte, mas que analisa-se a questão em casa. Fui para casa sem esquecer o constrangimento que encontrei naqueles olhinhos miúdos.

Cheguei dei atenção ao meu cachorro que logo veio em minha direção, tirei a peça de enforco e a minha roupa branca. Cansado fui ao banheiro me lavar de todos os problemas que encarei no dia. Às vezes é difícil ser um psiquiatra, analisar exige um certo apego pelo assunto, fica bem arriscado não se perder nos problemas dos outros. Mas dessa vez um problema específico dava assunto para minha cabeça, a situação da menina que ama um homem como diz a mãe que se vê livre de defeitos. No dia seguinte, quando retornei a tratar da menina que voltou acompanhada do autoritarismo da mãe, resolvi ter um momento a sós com ela. Pedi que se retirasse, e com uma cara de poucos amigos a mãe saiu da minha sala. Ficamos ela e eu. Assim que a mãe saiu, começou a chorar, dizia que a mãe estava exagerando. Retornei na incógnita de quem era o tal homem alvo do amor de uma menina mal iniciada na vida. Ela não me respondeu. Por um momento eu pensei que era eu. Foi aí, que eu me lembrei daqueles olhos.

domingo, 29 de novembro de 2009

Uma parte retratada vista de um olho só



Parada, focada e armazenada.
O retrato fala do que foi vivido.
Empoeirado na parede.
Esquecido na carteira.
Um momento, uma foto, um rosto.
Em preto e branco pra ficar mais bonito.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Domingo





Tudo fica melhor a noite.
Ontem quando eu te conheci.
Pensei o quanto seria ironico se eu namora-se você.
Você e sua camisa branca que eu sem querer manchei de mostarda.
Desse só uns beijos, sem culpa.
Um foi e outro veio.
Outro...melhor na aparência, mas com uma leve pressão nos lábios.
Você chegou em um momento inusitado.
E até agora, eu ainda não disse não.
E nem pretendo dizer.




Fotografia:Camila Koschdoski

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Um bode tocando violino




Nunca ouvi uma coisa estúpida assim.
Dizer sempre e pra sempre.
É tão burro.
Amor?Eu nunca vi.
Nem vivi.
É tudo inventado...

Eu avisaria ao mundo se eu mesmo acredita-se.

Luzes



Você foi embora.
Eu sigo as luzes do cartaz.
Longe e ao mesmo tempo perto da cidade.
Por favor, nem pense em me deixar.
Por um instante eu tive medo.
Por um segundo apenas.
Simplesmente não me deixe.

Agora mesmo eu tive um sonho.
É verdadeiro?
Ou foi só mais um amor que eu deixo passar?
Por favor, nem pense, nem por um instante.
Simplesmente não me deixe.

sábado, 14 de novembro de 2009

Vezes




Ah eu quero acordar
Sentir a amor na manhã
Quero me deitar no rio
Ah eu quero entender
Todas as coisas que eu disse a você
De todas as vezes que deu zero
De todas as vezes que a gente perdeu.