sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Tempo



A vida tinha mudado.
Agora mudou de novo.

Me

Me arruma.
Me acostuma a ser tua.
Me coloca do seu lado.
Me livra.
Me coloca no bolso.
Me deixa de quatro.
Me enfeita.
Me põe na mesa.
Me diz o que tem pra jantar.
Me fala da vida.
Me diz se é justo.
Me faz crer em nós.
Me faz...
Me receita...
Me venda.
Me compre.
Me come.
Me veja, reveja.
Me lambe.
Me anota em seu caderno.
Me faz ser assunto dos seus dias...

Clarisse

Era pouco e se foi.
O meu amor, o meu brinquedo.
O meu jeito, a minha dança.
Pela felicidade eu esperava que nem criança.
Numa festa nova de ano bom.

Desgosto

Eu estava amarrada entre seus pés.
Entre seus abraços e beijos públicos.
Entre batidas no ventre e carinhos na nuca.
Eu pensava que a vida é isso aí...
Querer te salvar tinha virado rotina.
Sua poesia era falsa e popular.
E eu pensava que o mundo era isso aí.
Tinha o gosto dos seus dedos, do seu doce.
Suas vontades de fugir.
Depois que eu vi que você era só um menino perdido.
Percebi que de você não gosto mais...
Nem do gosto.
Nem do posto de ser sua.
Jamais.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Teoria da sobra(Texto escrito por mim aos 16 anos)

Talvez eu devesse falar menos e ouvir mais, ou até falar mais pra ouvir menos. Tem tantas coisas que eu não entendo, como eu posso me apaixonar tão rápido e em raras vezes, eu idealizo tanto que qualquer coisa de errada que aconteça meu mundo desmorona, e até recolher os destroços muitas lágrimas e martírios tomam seu rumo pra que eu possa voltar a viver socialmente. Mas tudo de um jeito muito rápido. Tenho uma teoria que amores nunca dão de todo certo e pra sempre, pois imagina se todo mundo achasse um amor de primeira e ficasse para sempre, com certeza alguém ia sobrar, a tantas pessoas no mundo que é injusto amar uma pessoa só, por isso que tem esse rodízio. Mas como todo rodízio sempre tem aquela carne que ninguém come.

Nome

Não me diga seu nome.
Vou tentar adivinhar.
É o nome mais bonito que eu já ouvi.
É o nome que eu mais ouço chamar.
As letras mais redondas compõem o teu soar.
Quer que eu diga xará?
Foi bem fácil de lembrar.

Prima

Diga pra ela me esperar.
Avise o local, a hora.
Não desistirei assim tão ralo.
Farei ela vir comigo.
Fala pra ela que lembro da última música.
Não esqueci, e como poderia?
Peça pra ela não desistir.
Que é só me seguir, deixar ser amada por mim.
Fala pra ela, avisa que eu estou esperando resposta.

Zero

Ciúme pra que?
Não entende, sem porque.
Um fiapo de gente querendo nascer.
Tropeçando no que importa.
No que é.
Faz o cego passar a ver.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Harmonia





Quando você está perto.
Eu sinto um som saindo do seu caração disparado.
É como se o mundo girasse em torno da música.
É como se o mundo todo quissese nos por para dormir.
E nesse sonho certamente estaríamos felizes.
Você, eu e uma música.
Em uma eterna dança de desejos.
Seria um belo filme não?
E quando o sonho acabasse e você fosse embora.
Tudo iria se perder, e o som seria esquecido.
Por mim e por você ficaríamos infelizes.
O céu se revoltaria sobre nossas cabeças.
E o doce do seu beijo iria me fazer falta.
Por isso, por você e eu, nós iríamos cantar a música.
Tentar recordar do sonho e tudo iria voltar a ser azul.
E no final dessa história de altos e baixos.
O mar com todo seu infinito iria nos apagar da areia.
E certamente outro casal seria escrito.
Outra música ouvida.
Por você e por mim, o amor iria permanecer, mesmo não sendo o nosso.
E é sempre como se o céu se revolta-se sobre os nossos pés.
Pedindo um pouco mais de vida, um pouco mais de espera.
Um pouco mais de mistério ao nosso amor que é tão certo.
Uma melodia tão bonita escrita por dois estranhos.
Reinaria depois de tudo isso.
Eu faria seu jantar e escreveria algo para você ler.
Tentaria manter nossas mentes e casas limpas.
Tentaria vender nossa alma em troca de alguns trocados.
Manteria o rádio ligado e arrumaria a nossa cama.
Faria amor e guerra tentando encontrar a paz.
Seria como um céu se abrindo diante de nós.
Seria uma dor tão boa, um medo tão verdadeiro.
Uma foto bonita feita por dois estranhos.
E pra você não esquecer da promessa.
Eu cantaria a música, imitaria o som.
Diria o que a gente quer ouvir.
Que isso, que a gente tem, nunca iria se acabar.
Que eu ia sempre estar aqui.
Por você e por mim.